Portas abertas para a comunidade


Começa o IV Encontro Promoção da Igualdade Racial

Publicado em 12/5/2017

Os direitos das comunidades tradicionais estão, mais uma vez, em pauta no UniFOA. Nessa quinta-feira, 11, teve início o IV Encontro Promoção da Igualdade Racial, no campus Olezio Galotti, em Três Poços. O evento, que já é tradicional na instituição, recebeu alunos e professores de todos os cursos no Centro Histórico-Cultural, além de membros da comunidade, para discutir demandas e políticas públicas que tragam qualidade de vida e respeito a essas populações.

A interdisciplinaridade é o ponto alto dessa edição que, através de oficinas culinárias e palestras, discute a comunidade quilombola. “Buscamos, além de tudo, humanizar nossos alunos, porque vivemos em uma sociedade muito individualista e queremos eles saiam profissionais sensíveis e que respeitem a diversidade pensando-a como uma coisa boa”, frisou o professor Dario Aragão Neto, responsável pelo evento.

Representando o prefeito de Volta Redonda, a secretária de políticas públicas para mulheres, Dayse Penna, contou que o atual governo tem uma proposta de que a secretaria englobe, também, a garantia do direito da igualdade racial. “Estamos em pleno século XXI com desenvolvimentos tecnológicos, econômico, científico e ainda nos falta o básico: respeito. E é a partir da educação que enxergamos uma saída para isso”, apontou Dayse afirmando que é nesse viés que a cidade vai caminhar.

I Seminário de Pesquisa em Relações Étnico Raciais

A abertura do IV Encontro Promoção da Igualdade Racial ficou por conta do I Seminário de Pesquisa em Relações Étnico Raciais, que trouxe as produções acadêmicas acerca do tema. O seminário vem para coroar um trabalho que já está sendo desenvolvido há algum tempo, segundo a palestrante, Katia Mika Nishimura.

“Precisamos abordar essas questões a partir da visão acadêmica, porque é através dela que vamos combater o preconceito; é fundamental a desconstrução e discussão desses estereótipos de modo que possamos trazer outros elementos, além do sofrimento que marca a nossa história”.

Essa foi a primeira vez que Lucas Mithidieri, aluno do 7° período do curso de Design, participou do evento. “Saímos daqui com uma bagagem de conhecimento muito maior para ser utilizada futuramente no mercado de trabalho, inclusive para trabalhar o tema em alguns projetos e materiais”, comentou o aluno.

Culinária quilombola

Os alunos do curso de Nutrição colocaram a mão na massa durante a oficina “Comida de Santo: Aspectos Nutricionais, Fundamentos e Tradições”, que trouxe pratos típicos da culinária quilombola para a mesa. O momento foi comandado pela pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Alimentação e Cultura (Nectar), Lourence Cristine Alves, no Laboratório de Técnicas Dietéticas.

Os alimentos da culinária africana são muito presentes na cultura brasileira. “A oficina vem para mostrar aos nossos alunos o poder e a influência da alimentação, com relação às questões étnico-raciais, atreladas, principalmente, à religião”, explicou o coordenador do curso de Nutrição, Elton Bicalho.

Dammiana Santos, do 7° período, se interessou pela oficina para conhecer um pouco mais sobre a cozinha dos seus ancestrais. “Após a conclusão do curso, pretendo, também, me especializar em gastronomia. E é muito enriquecedor conhecer um pouco mais sobre essa cultura, ver como a comida é parte de uma celebração e ter a noção como ela influencia no contato com os orixás”, completou a futura nutricionista.

Almir Gonçalves Fernandes: quilombola e advogado - Nascido e criado no Quilombo de São José da Serra, em Valença, Almir Gonçalves Fernandes se formou em Direito pelo UniFOA e carrega com orgulho suas origens. “Muita gente pensa que um quilombola é sofrido e tem vergonha de ser quem é, mas pelo contrário: quilombo é sinônimo de festa e orgulho”, destacou o advogado.

Este ano o evento trabalha para o desenvolvimento de projetos a longo prazo, segundo José Roberto Tambasco, defensor público. “Muito mais do que apresentação pontual, nós agora já temos uma participação das autoridades locais e um maior envolvimento entre a entidade acadêmica, UniFOA, e a instituição pública, Defensoria Pública da União, o que nos permite programar ainda melhor o futuro das comunidades”, destacou

– Estamos trazendo discussões cotidianas para o meio acadêmico, porque mais do que formar profissionais de sucesso, queremos, também, formar cidadãos que se tornem agentes transformadores. Isso demonstra o nosso compromisso não somente com o ensino de qualidade, mas com a sociedade como um todo, concluiu o pró-reitor acadêmico, Carlos Pacheco. 


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