Fake News


Professor de Jornalismo concede entrevista sobre o tema na Band Rio Interior

Publicado em 20/6/2018

Thales Machado – 1º ano de Jornalismo

O programa Taí Para Todos, apresentado por Taí Braz, recebeu, no dia 24 de maio, o professor Rogério Martins, jornalista, doutor em comunicação e professor dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda do UniFOA, além do especialista em Marketing Digital, Frederico Guimarães, para sanar dúvidas e discutir questões recorrentes do fenômeno “Fake News”, um que vem ganhado a atenção de todos, por apresentar perigo à difusão de informações que moldam a opinião pública.

Taí conduziu uma entrevista conjunta aos convidados, abordando o tema das notícias falsas desde os seus primórdios, antes mesmo da criação da internet, como fundamenta o professor Rogério. “O homem sempre gostou de boatos e fofocas e isso vem sendo feito muito antes da internet, portanto, as ‘fake news’, traduzindo livremente como notícias falsas, estão presentes na sociedade há tempos”, comentou. O docente pontuou ainda a formação de um fenômeno intitulado como ‘Pós-Verdade’. “Muitos estudiosos creem que os produtores de notícias deturpadas assumem, com base em suas convicções e visões de mundo, as notícias como verdades próprias, que não necessariamente são verdades concretas, factuais e comprovadas, favorecendo a proliferação dessas informações errôneas” explicou.

 Frederico Guimarães, atuante em uma agência de marketing digital, trouxe à tona a realidade sobre a produção de sites especializados em Fake News, que, segundo ele, tanto consomem o mercado das notícias, se alimentando de curtidas e cliques, mesmo que grande parte desses endereços eletrônicos tenham objetivos levados ao humor. “As pessoas sentem a necessidade de compartilhar informações chocantes, que em grande parte, são falsas, para se auto promover ou se sentir importante, causando possíveis transtornos quase irreparáveis”, continuou.

Em síntese, a entrevista manteve um tom esclarecedor acerca do assunto, expondo diferentes casos e situações no plano contemporâneo e, além dos convidados, o programa teve a participação popular em que pessoas nas ruas de Barra Mansa, fizeram apontamentos e perguntas trazendo amplitude à discussão.

O doutor em comunicação e professor do UniFOA, Rogério Martins, também concedeu uma entrevista ao jornal Atitude, dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, refletindo e contando suas impressões sobre a participação no programa da Rede Bandeirantes, bem como o desenvolvimento de seu estudo sobre as notícias não verdadeiras.

Atitude - Como foi participar do Programa do Taí, sendo televisionado ao vivo, pela Rede Bandeirantes de Televisão?

Foi tranquilo e sem problemas. Para falar a verdade eu não conhecia o Taí, pois sou do Rio e, devido ao trabalho, costumo assistir mais os programas da TV à noite, após dar aulas. Mas pelos comentários descobri que ele é bem conhecido e possui uma boa audiência. Eu e o Fred (o outro entrevistado) fomos muito bem recebidos por ele e por todos na emissora, o que contribuiu para que eu ficasse mais à vontade durante o programa. 

Atitude - Em relação à questão das “Fake News” é algo que já vem sendo estudado por você há algum tempo ou é um material novo que vem abordando mais recentemente?

Não é de agora. Comecei a me interessar pelo fenômeno há cerca de dois anos, quando o termo "pós-verdade" foi eleita pelo dicionário Oxford a palavra do ano de 2016. Pós-verdade quer dizer uma era em que pessoas passam a acreditar mais em suas convicções (emoções, sentimentos, opiniões, ideias pré-concebidas etc.) do que nos fatos. Logo depois, Donald Trump venceu as eleições nos EUA com uma campanha baseada em grande parte em mentiras. Vitorioso, ele começa a se referir à imprensa (que havia previsto a vitória de Hillary) como “inimiga pública” e disseminadora de fake news. Creio que de tanto repetir o termo ao se referir à imprensa americana, ele ajudou a popularizar mundialmente a ideia. Com isso, ele tenta deslegitimar o papel dos jornalistas americanos e busca manipular a opinião pública para que ela acredite em “fatos alternativos”, ou seja, os fatos que sua equipe de propaganda busca repassar adiante.  O certo é que o fenômeno das notícias falsas não é de hoje - há séculos mentiras vem sendo disseminadas com os mais variados interesses. A imprensa (em especial a sensacionalista) muitas vezes embarcou nas notícias falsas ao longo do tempo e só começou a abandonar o tema quando viu que perderia sua credibilidade se não investisse na objetividade e na apuração isenta dos fatos. Na esfera atual, as mídias digitais abriram as portas para uma infinidade de novas fontes que, com uma única postagem no Facebook ou no WhatsApp, podem se espalhar rapidamente, atingindo pessoas que acreditam ser verdade aquela notícia falsa que leu antes. Por outro lado, a mentira é também "plantada" em algum site porque quanto mais impactantes (e falsas) as “fake news” forem, maior a chance de receberem cliques e, com eles, a publicidade, que move o mundo virtual. O problema, enfim, é bastante complexo.

Atitude - Por fim, gostaria que passasse uma mensagem acerca do tema do programa para os alunos do UniFOA, não só da área de Publicidade e Propaganda e Jornalismo, mas para todos?  

Sou a favor de uma melhor educação (até com crianças) sobre como ler e buscar discernir o que é apenas para rir e se divertir (caso do site "Sensacionalista") do que aquela fake news, que é disseminada com o intuito de atacar a imagem de alguém. A exemplo, dos “fakes” repassados sobre a vereadora Marielle e seu "envolvimento com o Comando Vermelho". 

A dica é, como disse no programa do Taí, desconfiar sempre. Recebeu uma mensagem de texto pelo WhatsApp e ficou intrigado? Pense antes de compartilhar se aquilo é fato ou “fake”. Há sites como o "E-farsas", que, muitas vezes no mesmo dia da postagem mentirosa, já rebatem a veracidade da mesma.

Também vale a pena checar em sites de grandes portais para ver se a tal "notícia" já foi publicada ali. Lembrem-se que: quem dissemina notícias falsas prefere se manter no anonimato, enquanto a mídia tradicional dá a "cara a tapa" para levar as notícias ao público. Então, a mídia deve ter muito mais cuidado com as fake news. Compare, desconfie sempre, seja cético. Por fim, desconfie também de toda postagem em aplicativos como o WhatsApp que comece com "A imprensa foi silenciada e não pode falar nada", ou "A Globo foi proibida de veicular tal assunto". Em 90 por cento dos casos são fake news, que buscam um tom alarmista para se disseminar mais facilmente. E é sempre bom lembrar que uma imprensa na qual não se tem confiança é tudo que os propagadores de fake news desejam.        


Professor Rogério Martins (à esquerda) com apresentador Taí Braz e Frederico Guimarães

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