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Ortorexia

Quando se alimentar corretamente pode ser um problema - 16/05/2016


Liziane Souza - 3º ano de Jornalismo 

Comer de três em três horas, fazer cinco refeições ao dia, não beber refrigerantes e evitar alimentos gordurosos. Não há como negar que todos estes hábitos podem melhorar a qualidade de vida das pessoas, além de fazerem o corpo funcionar adequadamente, e ainda prevenir doenças. No entanto, existem casos em que a preocupação com o que se come acaba gerando um grave problema: a ortorexia.

Este foi o assunto abordado por Jéssica Tamires Almeida Silva, 23 anos, estudante do 8º período do curso de Nutrição, em seu trabalho de conclusão de curso. Ela explicou que a ortorexia é um distúrbio alimentar, que ocorre quando a busca por alimentos “puros” se torna uma ideia fixa para a pessoa. O indivíduo que sofre com este distúrbio passa a ler rótulos para se certificar de que não existe algum elemento na composição do alimento que não seja “bom”.

A estudante lembrou que essa obsessão pela alimentação saudável pode chegar a afetar até a vida social, que é abandonada para fugir dos alimentos “impróprios” e de lugares que o oferecem. Segundo Jéssica, o que a motivou fazer essa pesquisa foi o fato do assunto ser pouco conhecido, o que acabava gerando dúvida.

– Eu precisava saber muito mais sobre a questão e fazer com que mais pessoas também soubessem. Poucos trabalhos foram feitos sobre esta temática e os que existiam estudaram reduzidas populações, o que tornava difícil padronizar um método para a detecção da ortorexia – disse.
 

Sem apresentar um padrão específico, a ortorexia pode afetar a qualquer pessoa independente do sexo ou idade.
De acordo com Jéssica, no decorrer de sua pesquisa ela pôde observar que grande parte das pessoas entrevistadas se quer sabiam da existência desse transtorno alimentar, e que – mais de 80% dos indivíduos pesquisados apresentavam tal comportamento e não sabiam – afirmou. A pesquisa, segundo a aluna, foi realizada com 244 alunos do curso de Nutrição entre agosto e setembro de 2015.  


A acadêmica explicou que no início da pesquisa muitas de suas perguntas ficavam sem respostas, pois não havia informações suficientes a respeito do distúrbio nas fontes de pesquisas comuns.

– Era desanimador. Se não fosse a ajuda e orientação do professor Alden não teria conseguido. Pensei em desistir várias vezes, mas ele sempre me estimulava a continuar – disse ela, ressaltando ainda a colaboração de Lívia Ferreira, Pollyana Almeida e de Steven Bratman, médico americano, que criou o termo “ortorexia” e escreveu o livro Health Food Junkies (Viciados em comida saudável), que contribuiu com seu estudo virtualmente.

Para o professor do curso de Nutrição e pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Alden dos Santos Neves foi um desafio orientar esse trabalho, pois, segundo ele, não havia muito acervo bibliográfico no Brasil acerca do tema, o que tornava esse trabalho quase que inédito no país. O professor destacou também o empenho de Jéssica em conseguir informações: “Ela conseguiu entrar em contato com um dos principais pesquisadores do mundo a respeito do tema, o médico Steven Bratman”, lembrou.  

Segundo o pró-reitor de Pesquisa, os alunos que optam por produzir trabalhos científicos, como artigos, por exemplo, são mais bem vistos no mercado de trabalho, pois os contratantes veem que o aluno não se limitou a fazer apenas o que era passado em sala de aula. “Além disso, a pesquisa acaba se tornando um diferencial na hora de escolher entre um e outro para uma vaga de emprego. Um pesquisador tem a vantagem do conhecimento trazido ao longo de uma pesquisa, o que acaba deixando o futuro profissional ficando mais crítico, perceptivo e interessado em aprender novos assuntos”, finalizou.

Para a estudante, da mesma forma que outros trabalhos serviram de inspiração para a construção do seu, ela espera que o dela também incentive futuras pesquisas. Jéssica apresentará os dados recolhidos como resultado de sua monografia. O trabalho ficará disponível para o público, na Biblioteca Central do UniFOA.

– Futuramente eu pretendo publicar em alguma revista para que mais pessoas tenham conhecimento do assunto – acrescentou ela que pretende expandir a pesquisa para detectar a frequência deste distúrbio também entre profissionais da nutrição.